A INFLUÊNCIA KANTIANA
Leonardo Gonçalves (*)
A influência de Immanuel Kant na Teologia Contemporânea
A revolução teológica do século passado que ficou conhecida pelo nome de teologia existencialista ou contemporânea, tem as suas raízes nas idéias do filósofo Immanuel Kant. Embora já tenha sido mencionado na introdução, esse filósofo merece, sem nenhuma dúvida, um capítulo à parte. Kant logrou sistematizar a confiança do homem moderno na capacidade da razão para tratar de tudo o que diz respeito ao mundo material, e sua incapacidade para ocupar-se de tudo o que está além do nosso mundo. Ao fazer isso, Kant não se projetou apenas sobre o século dezenove, mas também sobre o século vinte.
2.1– Um novo conjunto de pressupostos religiosos para o homem moderno.
O mundo grego havia elaborado algumas normas religiosas básicas em torno do paradoxo entre a forma e a matéria. Na idade média, o homem do ocidente havia assimilado algumas dessas idéias, reorganizando-as em torno do conceito de natureza e graça. De certa forma, a síntese de Tomás de Aquino era de origem pagã e aristotélica, e privava a graça de seu caráter puramente cristão, fazendo dela um elemento aperfeiçoador da superestrutura, ao invés de ser um ato transformador de Deus.
Kant e sua idéia de autonomia fizeram dessa privação da graça mais que uma simples moldura teológica: pela primeira vez na história da civilização ocidental, a natureza foi separada da graça de forma elaborada, conseqüente e consciente. No pensamento do homem moderno, a graça foi suplantada pela idéia de emancipação; o homem tinha que nascer de novo como pessoa completamente livre e autônoma, emancipada de qualquer pensamento preconizado. De acordo com essa nova maneira de pensar, até mesmo o conceito de natureza – conservado da síntese medieval aquiniana – se transformou, passando a ser uma esfera micro-cósmica dentro da qual a personalidade humana podia exercer sua autonomia. A natureza era agora interpretada como um terreno infinito que o pensamento matemático autônomo devia controlar.
A história do pensamento e da teologia ocidental desde Kant nos mostra como esses pressupostos religiosos, trabalhando com idéias tomadas do cristianismo, modelaram uma nova teologia e um novo mundo.
2.2- A autonomia do homem e sua influência no pensamento religioso moderno.
A autonomia preconizada por Kant, isto é, a emancipação de valores exteriores, produziu uma avaliação muito elevada da capacidade humana, sobretudo da razão humana como autoridade final e como crivo para a verdade. A razão, e somente a razão, poderia julgar o mundo do fenômeno e o mundo do número. Para Kant, essa autonomia representava a substituição do conceito de revelação do cristão – que tem sua expressão máxima em Cristo e na Bíblia – pela razão autônoma do homem. Em um sentido ulterior, Kant entroniza a razão como sendo o princípio supremo. A verdadeira religião, na filosofia kantiana, não consiste em conhecer o que Deus tem feito para a nossa salvação, e sim em conhecer o que devemos fazer para chegarmos a ser dignos dela. Essa moralidade religiosa, segundo Kant, pode ser alcançada sem a necessidade de nenhum aprendizado bíblico.
Não há muita distância entre esse pensamento de Kant e o pensamento posterior dos teólogos contemporâneos, tal como em Bultmann e sua idéia de desmitologização, nem está longe da idéia da razão autônoma como juíza da revelação na análise racional de Pannenberg, que apresenta os relatos da ressurreição como estando contaminados de lendas, nem da negativa de Cullmann de considerar os relatos da criação de Gênesis como história autêntica.
2.3- O relativismo de David Hume e sua influência na filosofia kantiana.
David Hume, filósofo escocês, havia lançado dúvida em quanto à possibilidade de alguém provar alguma coisa, tanto dentro como fora de si mesmo. Causa e efeito, Deus como origem de todas as coisas, o homem como ser contingente, tudo isso era para ele completamente evasivo. Segundo ele, não conhecemos a coisa em si, mas apenas aquele conhecimento que os sentidos nos proporcionam.
Kant tomou emprestado de Hume o problema do conhecimento proposto por ele e o reformulou, como se isso fosse pudesse resolver o problema epistemológico. Kant criou dois mundos, à saber, o mundo dos fenômenos e o mundo dos números, sendo um percebido pela razão e pelos sentidos, e o outro, o mundo de Deus, da imortalidade, da liberdade e das idéias reguladoras que a razão não pode explicar, mas que devem ocupar um lugar na vida como se fossem objetos reais ao alcance da razão.
O efeito de tudo isso foi em parte, devastador. Kant, ao colocar Deus em um outro mundo, o aprisionou com um muro à prova de som; seu único vínculo com o mundo dos fenômenos se daria por meio da necessidade que o homem tem da idéia de Deus para o seu mundo ético. Com isso, Kant não fechou totalmente a porta do nosso mundo para Deus, mas a diminuiu de tal forma que o Deus soberano, cujas vestes enchiam o templo (Isaías 6.1), não pode entrar. Da mesma forma, uma vez que o homem não pode perceber as coisas como são na realidade – tanto no mundo dos fenômenos como no mundo dos números – não pode introduzir-se por essa porta para conhecer a Deus. Ele ficou isolado no mundo dos fenômenos e Deus no mundo numeral.
2.4- O confinamento de Deus na teologia contemporânea.
Esse confinamento de Deus no mundo dos números é o tema favorito da teologia contemporânea. Tal confinamento se reforça com a insistência crescente do existencialismo na liberdade, e reaparece de forma modificada nos primeiros escritos de Karl Barth acerca de Deus como “Totalmente Outro”, como “Aquele que não pode ser explicado como se explica um objeto”. Ele reaparece na divisão neo-ortodoxa entre História e Geschichte, na diferenciação de Bultmann entre o Jesus histórico e o Cristo kerigmático, ou, usando uma linguagem kantiana, entre o Jesus fenomenal e o Cristo numenal. Esse confinamento do mundo espiritual é o fator preponderante da insistência contemporânea na “humanidade” da Bíblia e da definição barthiana de revelação como sendo o encontro divino-humano, o numeral que toca o fenomenal, porém, sem entrar nele. Ele também produz em Moltmann uma teologia da esperança, completamente cética quanto a qualquer fim escatológico na história fenomenal, ainda que capaz de falar de um futuro numenal. Nesse ínterim, quase ninguém se atreve a buscar o Jesus histórico; ele é simplesmente irrelevante.
2.5- As idéias deístas presentes na filosofia da emancipação e sua influencia na teologia contemporânea.
O conceito deísta que fez parte do processo de florescimento da autonomia não dava nenhum lugar à intervenção divina na criação por meio de algo sobrenatural e revelador. Da mesma forma, a autonomia do método sobre o texto bíblico estabeleceu certos pressupostos que o método histórico-crítico ainda mantém, como o abandono da doutrina da inspiração verbal. Começa-se então a fazer distinção entre a Palavra de Deus e a Bíblia, e junto com o pressuposto metodológico, ressurge a idéia de que há erros na Bíblia e que esta deve ser tratada como qualquer conjunto de documentos do passado.
Essa idéia de humanização da Bíblia veio a ser uma das características distintivas da crítica bíblica, quer seja em sua forma mais conservadora (como se encontra em Oscar Cullmann e Wolfhart Pannenberg), ou em suas expressões mais radicais (como em Paul Tillich, John Robinson e nos teólogos seculares). Também Barth e Bultmman, apesar de todo o seu debate interno, seguem unidos no emprego dessa metodologia.
2.6- Uma separação radical entre história e fé.
A divisão entre história e fé também se tornou mais tarde um pressuposto da teologia contemporânea. O Jesus histórico parecia cada vez mais distante do Cristo da fé. Acerca desse impasse, G.E. Lessing afirmou que “o verdadeiro valor de qualquer religião não depende da história, senão de sua capacidade de transformar a vida através do amor”. Os teólogos contemporâneos apresentam repetidas vezes essa dissociação do Jesus histórico e do Jesus da fé, afirmando que ainda que a história escrita do cristianismo não se possa aceitar, o ensino de Cristo pode e deve ser aceito. A historicidade da Bíblia parece menos importante que aquilo que ela diz. Barth fará isso ao ser indagado sobre se a serpente realmente falou no jardim do Édem, dizendo que isso não tem a menor importância diante do que a serpente disse. Bultmann fará o mesmo ao rejeitar os relatos evangélicos como sendo produtos historicamente duvidosos por um lado, e aceitando-os, por outro lado, por causa da sua compreensão existencial do “Eu”. Moltmann o utilizará ao burlar-se da noção clássica de escatologia cumprindo-se na história, e ao mesmo tempo falará sobre a igreja orientada para o futuro. Também John Robinson, ao mesmo tempo em que rejeita a idéia de céu como sendo um “lugar lá em cima”, fala de uma nova dimensão de vida como ser em profundidade, e de Deus como o Fundamento do ser.
Não há duvida de que Immanuel Kant teve grande influência sobre o pensamento teológico contemporâneo. Na verdade, desde Kant que a história do pensamento e da teologia ocidental é a história de como seus pressupostos religiosos, associados a muitas idéias cristãs, deram origem a um mundo novo. Embora sua filosofia encarasse com valentia as questões pleiteadas por Hume, ele enclausurou os seres humanos no mundo dos fenômenos, não havendo modo da mente fenomenal conhecer o numeral. Entre tantas objeções que se pode fazer a Kant, uma é a mais óbvia: Se o nosso entendimento acerca de Deus não é ao menos alegórico, como pode o homem conhecer a Deus? A filosofia de Kant transforma Deus em um ser incognoscível, e esse pressuposto será um grande dilema para a teologia dialética de Karl Bath, bem como de outros teólogos contemporâneos.
(*)Fonte: http://teologiacontemporanea.wordpress.com/
terça-feira, 10 de maio de 2011
POLÊMICA
Ex-pastor e professor de Teologia, diz: que o protestantismo faliu!
25.02.2007 - O movimento evangélico cristão é hoje uma instituição falida oriunda do paganismo e a palavra pastor, com exceção de uma minoria, possui o sinônimo de corrupção, considerando a legislação brasileira. A declaração é do ex-pastor e professor de Teologia, Ridalvo Alves, um dos fundadores do Encontro Para a Consciência Cristã, que durante o período de carnaval reúne evangélicos de todo o Brasil em Campina Grande. Ele se diz “decepcionado com o pastorado”.
Para o ex-reverendo, as prisões do pastor Estevam Hernandes Filho e da bispa Sônia Haddad Morais Hernandes, da Igreja Renascer, são o resultado de um pequeno reflexo da realidade no meio evangélico atual. No entendimento de Ridalvo, isto está acontecendo porque o cristianismo não tem embasamento bíblico fundamentado nos originais da palavra de Deus, segundo o contexto judaico, o que está levando seus membros a desvios de conduta.
Ridalvo ressaltou que alguns pastores têm se envolvido com a prostituição, a usura, a sonegação de impostos, o homossexualismo e até a perda da fé, o que tem levado muitas pessoas a se desviar da religião por caminhos alheios à vontade de Deus. Ridalvo assegura que o protestantismo é de cunho ocidental e, portanto, pagão, que se universalizou pelo imperador romano Constantino.
Outro agravante que acentua a crise no meio evangélico, de acordo com Alves, é o procedimento de formação dos líderes nas igrejas. Ele ressaltou que o título de pastor deveria ser dado a uma pessoa com, no mínimo, quatro anos de estudos em seminário teológico, o que não tem acontecido. Ele asseverou que “existem pessoas se dizendo pastores com cursos locais de, no máximo, seis meses ou um ano, sendo que alguns nem instrução têm. Essas pessoas têm declarado ter recebido unção e revelação de Deus para pregar a sua palavra, completamente leigas do assunto”.
Em sua maioria, segundo Ridalvo, não existe qualquer interesse pela palavra de Deus, mas intuito financeiro ou político. Em Campina Grande, por exemplo, segundo ele, muitos dos líderes religiosos estão ministrando em igrejas por conta dos salários a eles pagos, enquanto outros estão atrelados a políticos em troca de barganha, tais como: cargos públicos, favores e outros, e tudo isso tem fomentado uma proliferação de igrejas de fundo de quintal na cidade, nas quais os seus ministros não têm autoridade para transmitir a palavra de Deus.
“Eu convido os pastores sinceros do meio evangélico a fazer uma reflexão sobre o cristianismo, sobre o fundamento da igreja. É preciso que eles vejam o paganismo, no qual estão envolvidos. Algumas pessoas pensam que evangelho e evangélico são da mesma essência, mas não são. O evangelho é correto, está dentro do contexto bíblico, mas o evangélico tem contexto grego-pagão e nós podemos provar isso. O protestantismo é uma questão histórica ligada a Martin Lutero, na Alemanha, primeiro de natureza política e depois religiosa. Analisando este contexto teológico, eu larguei o protestantismo” afirmou.
Fonte: WSCOM Online
25.02.2007 - O movimento evangélico cristão é hoje uma instituição falida oriunda do paganismo e a palavra pastor, com exceção de uma minoria, possui o sinônimo de corrupção, considerando a legislação brasileira. A declaração é do ex-pastor e professor de Teologia, Ridalvo Alves, um dos fundadores do Encontro Para a Consciência Cristã, que durante o período de carnaval reúne evangélicos de todo o Brasil em Campina Grande. Ele se diz “decepcionado com o pastorado”.
Para o ex-reverendo, as prisões do pastor Estevam Hernandes Filho e da bispa Sônia Haddad Morais Hernandes, da Igreja Renascer, são o resultado de um pequeno reflexo da realidade no meio evangélico atual. No entendimento de Ridalvo, isto está acontecendo porque o cristianismo não tem embasamento bíblico fundamentado nos originais da palavra de Deus, segundo o contexto judaico, o que está levando seus membros a desvios de conduta.
Ridalvo ressaltou que alguns pastores têm se envolvido com a prostituição, a usura, a sonegação de impostos, o homossexualismo e até a perda da fé, o que tem levado muitas pessoas a se desviar da religião por caminhos alheios à vontade de Deus. Ridalvo assegura que o protestantismo é de cunho ocidental e, portanto, pagão, que se universalizou pelo imperador romano Constantino.
Outro agravante que acentua a crise no meio evangélico, de acordo com Alves, é o procedimento de formação dos líderes nas igrejas. Ele ressaltou que o título de pastor deveria ser dado a uma pessoa com, no mínimo, quatro anos de estudos em seminário teológico, o que não tem acontecido. Ele asseverou que “existem pessoas se dizendo pastores com cursos locais de, no máximo, seis meses ou um ano, sendo que alguns nem instrução têm. Essas pessoas têm declarado ter recebido unção e revelação de Deus para pregar a sua palavra, completamente leigas do assunto”.
Em sua maioria, segundo Ridalvo, não existe qualquer interesse pela palavra de Deus, mas intuito financeiro ou político. Em Campina Grande, por exemplo, segundo ele, muitos dos líderes religiosos estão ministrando em igrejas por conta dos salários a eles pagos, enquanto outros estão atrelados a políticos em troca de barganha, tais como: cargos públicos, favores e outros, e tudo isso tem fomentado uma proliferação de igrejas de fundo de quintal na cidade, nas quais os seus ministros não têm autoridade para transmitir a palavra de Deus.
“Eu convido os pastores sinceros do meio evangélico a fazer uma reflexão sobre o cristianismo, sobre o fundamento da igreja. É preciso que eles vejam o paganismo, no qual estão envolvidos. Algumas pessoas pensam que evangelho e evangélico são da mesma essência, mas não são. O evangelho é correto, está dentro do contexto bíblico, mas o evangélico tem contexto grego-pagão e nós podemos provar isso. O protestantismo é uma questão histórica ligada a Martin Lutero, na Alemanha, primeiro de natureza política e depois religiosa. Analisando este contexto teológico, eu larguei o protestantismo” afirmou.
Fonte: WSCOM Online
A HISTÓRIA DO CRISTIANISMO ATÉ O 3º SÉCULO
Considera-se tanto no estudo da filosofia como em teologia que o judaísmo vivenciava uma crise profunda em sua organicidade. Uma percepção fria desse assunto pode ser vista na própria estrutura ideológica e sectária do judaísmo que antes e durante o período apostólico encontrava-se dividido em diversos grupos.
No contexto histórico do surgimento do cristianismo, a dominação romana se fazia presente à palestina tanto quanto em outras regiões da Europa e África e esse domínio sobre os judeus teria seu clímax por volta do ano 70 d.C.,quando os judeus seriam espalhados pelo mundo no episódio denominado “diáspora”.Esse acontecimento também serviria aos propósitos apostólicos de expansão dos ideais cristãos.
Em seu surgimento, o cristianismo deveria ser , tanto no propósito de seu fundador como de seus discípulos,a absoluta verdade,teórica e prática.A narrativa inicial existente no evangelho de João é que o Cristo, o verbo divino,se encarnou e que esse verbo se tornou um homem como os demais,capaz de vivenciar as mesmas circunstâncias dos demais e necessariamente sobrepô-las.
Acredita-se que a grande expansão do cristianismo pelas localidades não judaicas deva-se ao apóstolo Paulo que também é chamado de “apóstolo dos gentios”.Inicialmente o cristianismo esteve localizado no seu próprio berço,em Israel,para então depois ser projetado pelas demais localidades.Os apóstolos vivenciaram em seu inicio uma pequena crise de ordem doutrinária em que tiveram que lidar com a questão dos judaizantes,isto é,judeus convertidos ao cristianismo e que sustentavam a necessidade de obediência e observação à lei mosaica.Paulo teve um confronto direto com esse grupo e necessitou chamar a atenção de seus companheiros pra essa questão e nesse contexto ocorreu o concilio de Jerusalém,o primeiro da história do cristianismo.
Com a projeção para o mundo, a nova religião tem no ex-integrante do judaísmo(Paulo),um fervoroso divulgador da nova mensagem.Um homem considerado de excelente formação,conhecedor da tradição judaica e da filosofia grega.Esse apóstolo é considerado um apologista no sentido mais completo do termo,tanto pelo combate às idéias pagãs como as heresias internas da nova religião e isso pode ser visto na leitura de suas cartas pastorais.
Ainda no período apostólico (final) tem inicio a fase de perseguição aos cristãos pelo poder estabelecido que considera-os deturpadores da ordem e dos costumes.Os mártires da igreja são os heróis e aceitam os castigos em nome de sua fé e a garantia de uma ressurreição futura e justiça divina.estas perseguições são mantidas durantes os próximos dois séculos após a morte dos apóstolos com maior ou menor intensidade.
A partir do segundo século teve inicio as diversas formulações teológicas que seriam os fundamentos da nova religião até então, dogmas não estabelecidos de maneira precisa e
tão absoluta como é próprio das religiões. É um período de grandes debates sobre as mais variadas temáticas filosófico-teológicas em relação à pessoa de cristo, a soteriologia, a natureza humana e a idéia de pecado, dentre outras temáticas. Esses debates e combates aos diversos pensamentos serão feitos pelos denominados padres da igreja ou pais da igreja que estão ora ligados à igreja do ocidente, ora à do oriente. Esses pais fazem um trabalho de combate aos ataques pagãos bem como à novas idéias surgidas entre os próprios cristãos,sendo que nos concílios serão definidos os dogmas ou verdades absolutas da revelação cristã.
Antes de suas conversões ao cristianismo, esses pais eram ligados a alguma escola filosófica e seus conhecimentos sobre a filosofia seriam usados de diferentes maneiras no apoio à divulgação das verdades de fé tendo-se o cuidado de mostrar o aspecto racional dessas verdades aceitas por revelação. Tais pensadores receberam influências diversas das escolas clássicas de filosofia como o platonismo, o aristotelismo, o neoplatonismo, os cépticos, os epicuristas, o estoicismo e outras heranças da cultura helênica.
A religião cristã superaria essa fase de perseguições e martírios após o terceiro século com a permissão de sua prática pelo império romano e posteriormente iria tornar-se a religião oficial do estado (final do século IV) e se manteria assim, superando a fragmentação do império romano do ocidente. Um pouco antes disso, já se apresentava a supremacia ou a pretensão de supremacia do bispo de Roma sobre os demais bispados e a definitiva instalação do papado como chefia visível da Igreja.
Sobrevivendo ao antigo império, agora inexistente,o cristianismo se estabelece pelos séculos posteriores no ocidente e com divergências em relação ao oriente o que iria determinar no futuro a primeira divisão do cristianismo, no chamado “cisma do oriente.”
DAVID LIMA
No contexto histórico do surgimento do cristianismo, a dominação romana se fazia presente à palestina tanto quanto em outras regiões da Europa e África e esse domínio sobre os judeus teria seu clímax por volta do ano 70 d.C.,quando os judeus seriam espalhados pelo mundo no episódio denominado “diáspora”.Esse acontecimento também serviria aos propósitos apostólicos de expansão dos ideais cristãos.
Em seu surgimento, o cristianismo deveria ser , tanto no propósito de seu fundador como de seus discípulos,a absoluta verdade,teórica e prática.A narrativa inicial existente no evangelho de João é que o Cristo, o verbo divino,se encarnou e que esse verbo se tornou um homem como os demais,capaz de vivenciar as mesmas circunstâncias dos demais e necessariamente sobrepô-las.
Acredita-se que a grande expansão do cristianismo pelas localidades não judaicas deva-se ao apóstolo Paulo que também é chamado de “apóstolo dos gentios”.Inicialmente o cristianismo esteve localizado no seu próprio berço,em Israel,para então depois ser projetado pelas demais localidades.Os apóstolos vivenciaram em seu inicio uma pequena crise de ordem doutrinária em que tiveram que lidar com a questão dos judaizantes,isto é,judeus convertidos ao cristianismo e que sustentavam a necessidade de obediência e observação à lei mosaica.Paulo teve um confronto direto com esse grupo e necessitou chamar a atenção de seus companheiros pra essa questão e nesse contexto ocorreu o concilio de Jerusalém,o primeiro da história do cristianismo.
Com a projeção para o mundo, a nova religião tem no ex-integrante do judaísmo(Paulo),um fervoroso divulgador da nova mensagem.Um homem considerado de excelente formação,conhecedor da tradição judaica e da filosofia grega.Esse apóstolo é considerado um apologista no sentido mais completo do termo,tanto pelo combate às idéias pagãs como as heresias internas da nova religião e isso pode ser visto na leitura de suas cartas pastorais.
Ainda no período apostólico (final) tem inicio a fase de perseguição aos cristãos pelo poder estabelecido que considera-os deturpadores da ordem e dos costumes.Os mártires da igreja são os heróis e aceitam os castigos em nome de sua fé e a garantia de uma ressurreição futura e justiça divina.estas perseguições são mantidas durantes os próximos dois séculos após a morte dos apóstolos com maior ou menor intensidade.
A partir do segundo século teve inicio as diversas formulações teológicas que seriam os fundamentos da nova religião até então, dogmas não estabelecidos de maneira precisa e
tão absoluta como é próprio das religiões. É um período de grandes debates sobre as mais variadas temáticas filosófico-teológicas em relação à pessoa de cristo, a soteriologia, a natureza humana e a idéia de pecado, dentre outras temáticas. Esses debates e combates aos diversos pensamentos serão feitos pelos denominados padres da igreja ou pais da igreja que estão ora ligados à igreja do ocidente, ora à do oriente. Esses pais fazem um trabalho de combate aos ataques pagãos bem como à novas idéias surgidas entre os próprios cristãos,sendo que nos concílios serão definidos os dogmas ou verdades absolutas da revelação cristã.
Antes de suas conversões ao cristianismo, esses pais eram ligados a alguma escola filosófica e seus conhecimentos sobre a filosofia seriam usados de diferentes maneiras no apoio à divulgação das verdades de fé tendo-se o cuidado de mostrar o aspecto racional dessas verdades aceitas por revelação. Tais pensadores receberam influências diversas das escolas clássicas de filosofia como o platonismo, o aristotelismo, o neoplatonismo, os cépticos, os epicuristas, o estoicismo e outras heranças da cultura helênica.
A religião cristã superaria essa fase de perseguições e martírios após o terceiro século com a permissão de sua prática pelo império romano e posteriormente iria tornar-se a religião oficial do estado (final do século IV) e se manteria assim, superando a fragmentação do império romano do ocidente. Um pouco antes disso, já se apresentava a supremacia ou a pretensão de supremacia do bispo de Roma sobre os demais bispados e a definitiva instalação do papado como chefia visível da Igreja.
Sobrevivendo ao antigo império, agora inexistente,o cristianismo se estabelece pelos séculos posteriores no ocidente e com divergências em relação ao oriente o que iria determinar no futuro a primeira divisão do cristianismo, no chamado “cisma do oriente.”
DAVID LIMA
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